YERMA


YERMA

1ª PARTE de TRIFAMI, “TRILOGIA FAMÍLIA”
Espectáculo de perfinst criado sobre a peça de teatro homónima de Federico Garcia Lorca, YERMA foi apresentado no ESPAÇOKARNART entre 06 e 24 de Abril de 2005 pelas 22.00h, como primeira parte de TRIFAMI, uma trilogia de espectáculos centrada na temática da família que incluiu também EQUÍVOCO, de Albert Camus, e EQUERMA, cruzamento experimental dos dois anteriores. Co-produzido pela KARNART e pelo Teatro Nacional D. Maria II (então dirigido artisticamente por António Lagarto), TRIFAMI teve um apoio pontual do Instituto das Artes do Ministério da Cultura.

FOLHA DE SALA | TEXTO DE LUÍS CASTRO | 02 de ABRIL de 2005:
“Poema trágico em três Actos e seis Quadros”, YERMA, de Federico Garcia Lorca foi escrito em prosa e verso em 1934, e conta-nos a história de uma mulher que mata o seu marido por ele não lhe dar filhos (de Manuel Gil Ildefonso: “Yerma, dotada de um carácter inflexível, não quer resignar-se a não ter descendência e tentará, por todos os meios honrosos ao seu alcance, engravidar. A sua não resignação, a sua resistência ao inevitável – a esterilidade – é o passo que levará à tragédia; o que não se resolverá com palavras far-se-á com as mãos. Juan é, quase desde o início da obra, a vítima predestinada. Yerma pede-lhe o que ele não pode dar, e esse inevitável incumprimento modifica toda a sua vida até o conduzir a uma morte violenta às mãos da sua mulher”).

Primeira parte de TRIFAMI, “trilogia família”, com que a KARNART se apresentou aos Concursos Pontuais de Teatro do Ministério da Cultura para 2004, YERMA - juntamente com EQUÍVOCO, que daquela será a segunda parte -, propõe-nos uma reflexão sobre as formas clássicas de organização antropológica das sociedades e permite-nos sugerir formas alternativas de conjunção social. Numa época em que se aceitam novas formas de estruturação familiar (uniões de facto homo e heterossexuais, relações mono e pluriparentais, adopção, etc.) com as quais estamos absolutamente de acordo, parece-nos fundamental marcar sobre este assunto uma posição clara.

Ser contudo, do ponto de vista da produção, forçado a construir em cinco meses no ano de 2005 e sob pressões de calendário várias, um projecto centrado em dois magníficos clássicos (e envolvendo um consciente e generosíssimo co-produtor) que deveria ter crescido ao longo de nove meses no ano de 2004 (malogrado apoio, que só graças a uma eficaz intervenção do colectivo RAMPA foi no limite pago pelo Ministério da Cultura, três dias faltavam para o final do ano) é uma verdadeira e perigosamente inesquecível aventura.

Questões de produção condicionaram opções de concepção e acabaram gratificantemente por canalizar YERMA para a forma do puro perfinst; a esta junção de performance (nas pessoas de dois bailarinos, Andresa Soares e Rafael Alvarez; de um actor, Pedro David; de um artista plástico, David Mesquita; e de um body-artist, Marco Patrocínio) e de instalação (usando objectos novos e acrescentando história aos que noutros projectos foram já usados), juntou-se um apurado trabalho de sonoplastia da responsabilidade de Sérgio Henriques e Razguzz (sobre a minha e as vozes de Isabel Gaivão e Elsa Braga) e as sempre fundamentais colaborações plásticas de Vel Z, Fernanda Ramos e Maria Campos; tudo isto sobre um cimento cuidadosamente preparado pela produtora executiva Gisela Barros.

Uma palavra de especial agradecimento ao TEATRO NACIONAL D. MARIA II, que nos tem apoiado muito para além das suas obrigações de co-produtor.

ANTES DE “YERMA” COMEÇAR, O PÚBLICO PODIA VISITAR, NUMA ANTE-CÂMARA DO ESPAÇOKARNART, UM PERFINST COMPOSTO POR UMA MENINA E UM CONJUNTO DE BONECAS EM PLÁSTICO DEFORMADAS.

CATARINA MESQUITA E AS SUAS BARBIE-MONSTROS | Uma menina loira de onze anos de idade mostra-nos as suas bonecas transformadas. Fascina-nos e convidamo-la a ser, mais do que às suas filhotas, instalada. Aceita com um sorriso brilhante. Um canto inóspito que tornaremos vermelho e que nos remeterá para um enquadramento das gémeas em SHINING (S. K.) serve-nos; o facto de ser violado um objecto de forte conceito consumista (a boneca barbie) agrada-nos; o paralelo existente entre a temática desta instalação e a do espectáculo surpreende-nos; a construção de um perfinst interventivo que relembre que nem tudo o que luz é ouro, que nem todas as mães são mães, e que o instituído lar tradicional da santíssima trindade pai-mãe-filho não é a única e omnipresente solução para o aconchego afectivo entre as pessoas, sejam elas adultas ou crianças, conquista-nos. Que vivam as crianças do futuro e as suas barbie-monstro!!!
LC

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
TEXTO | Federico Garcia Lorca 
CO-PRODUÇÃO | KARNART / Teatro Nacional D. Maria II 
CONCEPÇÃO E DIRECÇÃO | Luís Castro 
IMAGEM PARA DIVULGAÇÃO, GRAFISMO E CARACTERIZAÇÃO | Vel Z 
PRODUÇÃO EXECUTIVA | Gisela Barros 
ASSISTÊNCIA DE PRODUÇÃO e FIGURINOS | Fernanda Ramos 
INTERPRETAÇÃO | VOZES Isabel Gaivão, Luís Castro, Elsa Braga (cantora) PERFORMERS Andresa Soares, David Mesquita, Pedro David, Rafael Alvarez BODY-ARTIST Marco Patrocínio 
TRADUÇÃO | Júlio Martin 
REVISÃO DE TRADUÇÃO | Luís Castro e Isabel Gaivão
BANDA SONORA | Razguzz 
GRAVAÇÃO E MANIPULAÇÃO DE VOZES, OPERAÇÃO DE SOM | Sérgio Henriques 
FOTOGRAFIA | Maria Campos 
APOIO À CRIAÇÃO DE LUZ | João Lopes Alves 
MONTAGEM | Marco Patrocínio e David Mesquita 
ASSISTÊNCIA AO BODY-ARTIST | João Martins 
REGISTO AUDIOVISUAL | João Pedro Gomes e Paulo Abreu 
“BARBIES-MONSTRO” | Bonecas de, e instalação com, Catarina Mesquita 
AGRADECIMENTOS | António Lagarto, Bernardo Chatillon, Bibi Perestrelo, Cândida Vieira, Claudia Galhós, Conceição Cabrita, Cristina Mesquita, Escola Secundária ANTÓNIO ARROIO, Jeannine Trévidic, João Leonardo, Luís Chaby Vaz, Luísa San Payo, RAMPA, Sameiro Costa, Teatro O BANDO e Tiago Mesquita




















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