EQUÍVOCO



EQUÍVOCO
2ª PARTE de TRIFAMI, “TRILOGIA FAMÍLIA”
FOLHA DE SALA | TEXTO DE LUÍS CASTRO | 26 de Maio de 2005:

Em “EQUÍVOCO”, peça de teatro escrita por Albert Camus em 1943, duas mulheres, mãe e filha, proprietárias de uma estalagem no centro da Europa, matam e roubam hóspedes ricos para poderem mudar de vida partindo para um país quente. O cliente por que esperam na noite em que decorre a acção é o próprio filho e irmão, que partira vinte anos antes.

Segunda parte de TRIFAMI, “trilogia família” com que a KARNART C. P. O. A. A. se candidatou aos Concursos Pontuais de Teatro do Ministério da Cultura para 2004, EQUÍVOCO – juntamente com YERMA, que daquela foi a primeira parte, apresentada na Sala Rosa do ESPAÇO KARNART entre 06 e 24 de Abril, e EQUERMA, terceira parte da trilogia e cruzamento experimental dos dois anteriores, a acontecer na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II entre 14 e 31 de Julho próximos – ajuda-nos a reflectir sobre as formas clássicas de organização antropológica das sociedades. Estes são dois textos em que famílias chamadas tradicionais se autodestroem, e numa época em que se discutem novas formas de estruturação familiar (uniões de facto homo e heterossexuais, relações mono e pluriparentais, direito à adopção, etc.) com as quais estamos absolutamente de acordo, parece-nos fundamental marcar sobre este assunto uma posição clara.

Ser contudo, do ponto de vista da produção, forçado a construir em cinco meses no ano de 2005 e sob pressões de calendário várias, um projecto de três espectáculos centrado em dois magníficos clássicos que deveria ter crescido ao longo de nove meses no ano de 2004, é uma verdadeira e perigosamente inesquecível aventura.

Comparámos diferentes traduções de LE MALENTENDU, experimentámos diferentes versões dramaturgicas alterando ou respeitando a ordem de cenas do autor, delineámos variados espaços cénicos passando por estrados e corredores, inspirámo-nos na cor da omnipresente barragem do texto para a criação dos figurinos, bebemos em clássicos da pintura renascentista e do cinema a inspiração para a caracterização e, chocados, não pudemos deixar de aliar aos magníficos violinos que usamos na banda sonora uma referência ao actual e prepotente, conservador e homofóbico, Papa Bento XVI.

Fizemos audições para escolher actores para os três personagens mais jovens e atirámo-nos ao trabalho - com o horror que o exíguo prazo de criação de seis semanas, para um clássico a reinventar, nos proporcionava; e mais uma vez conseguimos. Como aconteceu com ESCRAVO DOUTROS em Fevereiro e YERMA, como vai acontecer com EQUERMA em Julho, com HOMOSSEXUAL em Outubro, com SATIROTIC em Dezembro.

Que mais uma vez o público desfrute de um objecto artístico do colectivo KARNART, desta feita um Perfinst da zona mais teatral do espectro que vai das Artes Plásticas às Artes Performativas, e sempre forçosamente interventivo.

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
CO-PRODUÇÃO | KARNART / Teatro Nacional D. Maria II
TEXTO | Albert Camus
TRADUÇÃO E DRAMATURGIA | Luís Castro, sobre os trabalhos de Pierre-Louis Rey, “Le Malentendu” Ed. Gallimard, França, 1995, que segue a versão do texto de 1958 (A. Camus, “Récits et Théâtre”), e de Raul Carvalho para “Livros do Brasil” Lisboa, Colecção Miniatura que aborda a versão inicial de 1943.
CONCEPÇÃO E DIRECÇÃO | Luís Castro 
COLABORAÇÃO PLÁSTICA, IMAGEM PARA DIVULGAÇÃO E GRAFISMO | Vel Z 
INTERPRETAÇÃO | Afonso de Melo (Jan, o Filho), Bibi Perestrelo (O Velho Criado), Fernanda Neves (A Mãe), Mónica Garcez (Marta, a Filha), Vera Alves (Maria, a Nora)
PRODUÇÃO EXECUTIVA | Gisela Barros
FIGURINOS | Fernanda Ramos
FOTOGRAFIA | Maria Campos
APOIO AO MOVIMENTO | Rafael Alvarez
BANDA SONORA E OPERAÇÃO DE SOM | Sérgio Henriques
DESENHO DE LUZ | João Lopes Alves
OPERAÇÃO DE LUZ | Nuno Domingos
ASSESSORIA DE IMPRENSA | Rita Bonito
REGISTO AUDIOVISUAL | Tiago Pereira
Apoio de Produtos de Caracterização: MAC Cosmetics
AGRADECIMENTOS | Arlindo Fernandes, Bernardo Chatillon, Bruno Castro Fernandes, Catarina Neves Dias, Carlos Avilez, DANÇAS NA CIDADE, FÓRUM DANÇA, Ingrid Fortez, Isabel Gaivão, João Vasco, João Leonardo, Jorge Rodrigues, Luz da Camara, Maria Pilar Vicente Silva, Mónica Almeida, Paula Mora, Paulo Abreu, Pedro David, Rafael Albergaria, RAMPA, Razguzz, Rogério Garcia, SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL, Susana Correia, TEATRO MARIA MATOS / EGEAC
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS a Maria do Rosário Coelho, pelo apoio dado ao trabalho de Voz e Dicção, e ao TEATRO EXPERIMENTAL DE CASCAIS, pela gentil cedência da actriz Fernanda Neves







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