HÚMUS




ESTE ESPECTÁCULO FOI DEDICADO A LUÍSA SAN PAYO


HÚMUS, espectáculo apresentado pela KARNART em Dezembro de 2010, foi vencedor, na categoria ARTES VISUAIS / MELHOR TRABALHO CENOGRÁFICO, do PRÉMO AUTORES 2011 atribuído pela SPA/RTP numa gala que teve lugar no CCB no dia 21 de Fevereiro de 2011, e recebeu uma MENÇÃO ESPECIAL DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE CRÍTICOS DE TEATRO | PRÉMIO DA CRÍTICA 2010, numa sessão que decorreu no T. M. S. Luiz, em Lisboa.


O espólio de objectos da KARNART e os textos de Raúl Brandão são neste espectáculo as principais fontes de inspiração de um colectivo que singularmente cruza as artes performativas e as artes plásticas nos seus trabalhos de pesquisa artística. No espaço labiríntico de uma galeria de arte o espectador é convidado a sentir, a procurar, a descobrir, a decifrar acções que sublinham, antagonizam, ironizam ou metaforizam o texto que lhes serve de suporte, num todo de intensa dimensão estética e forte impacto interventivo.




FICHA TÉCNICA

Autoria

RAÚL BRANDÃO a partir de
HÚMUS, HISTÓRIA DUM PALHAÇO e A MORTE DO PALHAÇO

Conceito, Direcção, Instalação e Narração
LUÍS CASTRO

Imagem, Design, Colaboração Plástica e Caixas de Luz
VEL Z

Interpretação
ANDRÉ UERBA
BIBI PERESTRELO
FERNANDO GRILO
MARIANA LEMOS
SARA CARINHAS
VEL Z

Assistência à Dramaturgia
FILIPA DUARTE ALMEIDA

Banda Sonora e Spot Audio
ADRIANO FILIPE

Montagem Cénica
NUNO ORVALHO

Apoio à Iluminação e Operação Técnica
ALEXANDRE COSTA

Fotografia e Spot Vídeo
PATRÍCIA REGO
JOÃO PEDRO GOMES

Co-Produção
KARNART C. P. O. A. A. / ARTISTAS UNIDOS

Estrutura financiada por
MINISTÉRIO DA CULTURA / DIRECÇÃO-GERAL DAS ARTES

Apoios
GALERIA MONUMENTAL
CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Apoios à Divulgação
ANTENA 2
RÁDIO EUROPA LISBOA
ASSOCIAÇÃO TURISMO DE LISBOA
SIC


CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPECTÁCULO, por Luís Castro

Este espectáculo, constituído por quinze cenas e nove intermezzi, prossegue a investigação do conceito de perfinst a que nos dedicamos desde 1996. Abrimo-lo com o que chamamos A DITADURA e encerramo-lo com A REVOLTA, excertos retirados do último capítulo de Húmus - VÊM AÍ OS DESGRAÇADOS… - que Raúl Brandão só manteve na primeira edição do texto. Achámo-los fundamentais na contextualização da situação social, política e cultural que atravessamos. Nós em 2010 como ele em 1917.

Nunca como nestes dois últimos anos nos sentimos tão próximos da realidade descrita por Raúl Brandão, nunca como hoje nos sentimos tão desprotegidos e mal amados.

Raúl Brandão empresta-nos a este propósito alguns pensamentos: “Insulto a minha quimera que me parecia de oiro, por quem me esgotei, para afinal a encontrar gelada e fugidia… Errei o caminho: não era por aqui”; ou “Vêem bem um imaginativo que entra na vida? Cheio de entusiasmo, talha uma vida de romance, com afeições, amores, livros feitos pensando unicamente na Arte. Em breve porém encontra tropeços: a cada passo a alma se lhe magoa, todas as brutalidades o ferem mais do que a outro. É que ele não viu que, ao lado da vida, sonhada, é preciso viver numa outra vida dura, de todos os dias”; ou ainda “De tudo o que quereria ser se fez em mim uma grande derrocada: por vezes ainda um resto de ambição brilha num ímpeto, como uma lâmina que se desembainha, mas logo cai prostrada e morta…”.

Em 2009 a KARNART perdeu o seu ESPAÇOKARNART para o Ministério da Justiça e não foi apoiada pelo Ministério da Cultura por ter decidido mudar de área artística nos concursos para atribuição de apoios à criação. Sobreviveu durante um ano de empréstimos e viu a sua equipa desmembrada. Pediu duas audiências à senhora Ministra da Cultura, assistiu ao lançamento de uma petição que reuniu mil assinaturas de profissionais das Artes e Letras do país. Os valores médios de financiamento que recebia do Estado eram na ordem dos quarenta e cinco mil euros para uma média de três criações por ano; potenciava esse valor desdobrando-se em co-produções e rentabilizando o espaço que possuía. Hoje tem um armazém cedido pela Câmara Municipal de Lisboa onde não pode por protocolo fazer espectáculos, vai submeter-se a novos concursos para criação em 2011 e 2012. Não parece interessar o passado, valer o trabalho feito; a incerteza é permanente.

Mas chega o tempo das criações e tem que se encontrar alma para continuar, tem que se mergulhar a cabeça em húmus para absorver ânimo, tem que se confiar que o público merece e que pela Arte se contribui para a evolução do país e do mundo. Vai-se resistindo e criando, vai-se prosseguindo, continuando… até se não poder mais. E haverá um momento em que não se poderá mais, sim… sem húmus será impossível poder durante muito mais tempo!









Translate