HUMUSARTE




HUMUSARTE é um projecto de perfinst criado a partir de HÚMUS de Raul Brandão, espectáculo apresentado pela KARNART C. P. O. A. A. em co-produção com os Artistas Unidos na Galeria Monumental em Dezembro de 2010 com direcção de Luís Castro e interpretação de Bibi Perestrelo, Sara Carinhas, Mariana Lemos, André Uerba, Fernando Grilo e Vel Z.

Profundo, denso e plástico, com quadros vivos e uma omnipresente narração gravada, HÚMUS forneceu a HUMUSARTE um amplo território de pesquisa, permitindo que os respectivos processo de criação e resultado fossem transformados em espectáculo. As actrizes Bibi Perestrelo e Sara Carinhas, para além de anfitriãs e cicerones, chamam a si alguns dos momentos performativos de HÚMUS. Fotografias em sucessão dos fascinantes objectos instalados nas mesas, personagens deambulando, projecções de filmagens dos personagens em décors exteriores, momentos de desconstrução e uma narração específica, metaforizam a acção projectando o espectador para outros universos das artes, das letras e das ciências. Cruzamento de performance e instalação, este é o mais recente espectáculo de Perfinst da KARNART C. P. O. A. A. 

HÚMUS foi considerado pelo jornal PÚBLICO um dos dez melhores espectáculos de 2010 no Balanço do ano feito no suplemento Ípsilon do dia 24 de Dezembro de 2010 – Poucas criações conseguem ser tão transparentes. Este espectáculo, ponto fervoroso no laborioso percurso da KARNART, revela as habituais rotinas dos seus criadores, mas aqui com um nível de alcance artístico tremendo. Texto, dramaturgia, interpretação, paisagem sonora, contexto de produção, tudo resulta num discurso uno e consequente. Intimista, rendilhado, delicado, microscópico, lunar, poético, de um rigor artesanal insuperável, age sobre o armazém de memória do espectador. Um espectáculo absolutamente único (Rui Pina Coelho) – e foi distinguido com dois prémios: Melhor Trabalho Cenográfico na categoria de Artes Visuais, Prémio Autores 2011 SPA/RTP, e Menção Especial da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro – (…) pela inspirada e brilhante teatralização do universo de Raúl Brandão, afeiçoando a estética da perfinst a uma evocação compadecida dos humildes que habitam a obra brandoniana (Maria Helena Serôdio).



FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

PRODUÇÃO
KARNART C. P. O. A. A.

BASEADO EM TEXTOS DE
RAUL BRANDÃO


CONCEITO, DIRECÇÃO, INSTALAÇÃO E NARRAÇÃO
LUÍS CASTRO

IMAGEM/DESIGN E COLABORAÇÃO PLÁSTICA
VEL Z

PRODUÇÃO EXECUTIVA
RITA CONDUTO

INTERPRETAÇÃO
BIBI PERESTRELO
SARA CARINHAS

PERFORMANCE FILMADA
ANDRÉ UERBA
BIBI PERESTRELO 
MARIANA LEMOS

PAISAGEM SONORA E EDIÇÃO VÍDEO
ADRIANO FILIPE

FOTOGRAFIAS
PATRÍCIA REGO

ILUMINAÇÃO
ALEXANDRE COSTA

OPERAÇÃO TÉCNICA
FERNANDO FERRINHO

CONTRA-REGRA
ANDRÉ SANTOS

Como o melro do limoeiro bebe em poça de água no pátio, assim HUMUSARTE bebe de HÚMUS, espectáculo de perfinst que criámos em Dezembro de 2010.


Imediatamente após sua a criação percebemos que, qual flor em processo de polinização, HÚMUS queria ser alargado, estilhaçado e pulverizado para germinar mais amplo e contaminante. Anexámos ao seu título a abrangente palavra ARTE e incluímo-lo na candidatura que apresentámos para financiamento. HUMUSARTE manteve-se, desde aí, calmamente à nossa espera.

Podendo crescer em várias direcções HUMUSARTE é penetrado por HÚMUS, revisitando-o.

Como se visita a casa de uma tia-avó na província beirã, onde se passavam férias de Páscoa e se descobriam fotografias, emoções e objectos; e onde nos lanches de chá, comendo pão e queijo-da-serra amanteigado, se ouviam histórias da aldeia; e das varandas se viam, pequeninas e tisnadas, mulheres vestidas de preto carregar, ligeiras, imensos molhos de gravetos ladeira acima.


Quem visita HUMUSARTE tendo visitado HÚMUS sente-lhe a nostalgia e a presença da tia-avó, reconhece-lhe os cheiros, divaga nas suas memórias, revive as histórias que lhe ouviu. Sente o tempo que passou e mede-lhe o tempo que há-de vir, cruzando passado e futuro.

Quem entra em HUMUSARTE e não vivenciou HÚMUS, encontra fechada a casa da tia-avó, entretanto falecida. Invade-a, conduzido pela mão de uma vizinha austera que foi buscar a chave guardada a casa do padre, e é deixado na sala-de-estar, entre loiças antigas expostas em vitrinas, e olhares frios de retratos feitos a carvão que lhe vigiam os movimentos. À descoberta em terreno alheio, receoso e intrigado, avança cautelosamente, cheira, vê e ouve, alcança a varanda interior que se abre para o pátio e ali fica, a observar o melro no velho limoeiro.

De HÚMUS recuperámos o palhacinho, a velha Joana e a Teodora; reinventámos o texto de Raúl Brandão; fotografámos as instalações; filmámos os personagens nas suas vidas ao ar livre. HÚMUS cresceu em HUMUSARTE rompendo fronteiras, obrigando-nos a percorrer outros corredores e labirintos, prolongando os seus personagens em vida, em alma, em esperas, em acções.

HUMUSARTE, o mais recente degrau na investigação do Conceito de Perfinst, descola-se da reacção do público e da crítica a HÚMUS, considerado um dos dez melhores espectáculos do ano de 2010 e distinguido com dois prémios: “Melhor Trabalho Cenográfico” na categoria de Artes Visuais do Prémio Autores 2011, promovido pela Sociedade Portuguesa de Autores/RTP; Menção Especial, da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.

Obrigado por terem vindo. Obrigado por nos acompanharem nestas viagens em que a criação artística nos embala.

Luís Castro










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