CONCEITO ARQUIVO MUSEU
COMENTÁRIOS DO PÚBLICO

O evento a que acabo de assistir é um comovente testemunho de rigor, talento e paixão. Uma instalação onde perpassa a memória de muitos gestos, de vidas que se juntaram, afastaram e voltaram a juntar-se para falar de coisas verdadeiramente importantes: histórias, medos, amores e mortes que nos habitam a todos. É um ponto de paragem para novas criações, apesar do cansaço e da raiva. Esperamos. Maria João Brilhante | via e-mail: Estive lá e foi uma experiência inesquecível!

Imobilidade e espaço vazio para uma acção. Queríamos abrir a gaiola, sobrepor um caminho – simbólico – a uma asfixia do corpo humano e social. Perguntamos então a outros espectadores – porque realmente é isso que somos todos os dias – mas eles riram e viraram as costas. Não abri a gaiola. Fiquei coma sensação de invadir o espaço teatral, mas… realmente, agora é também o meu próprio espaço. Espera, silêncio. O espaço de um grito sem voz, de um tecido rasgando. Não fiz nada e tudo pesou. Acaba a autocontemplação do luto. Apenas desligaram as luzes e a minha escrita morreu. Como a minha acção. Talvez depois, talvez amanhã. Agora tudo repousa. E não. Gianira Ferrara

Não tenho medo de morrer! Só tenho medo de morrer numa terra em que o salário do coveiro vale mais do que liberdade! Davoud Ghorbanzadeh

A sério?! Estamos a fazer o quê?... À espera de quê? É isto o Teatro. A arte. A vida. Vivemos. Vivamos! Para quê incluí-los no círculo? Não esperemos mais por eles. Eu sou. Nós somos. Agora temos que começar – Bloch! Carla Gonzalez

Museu de ideias, museu de objectos, museu de revolução, museus de prostração e de luto. Luís Gomes

Um murro no estômago. Deliciosamente dramático. Uma viagem. Pedro Vaz de Carvalho

É muto triste… é tudo muito triste. É difícil dizer o que sinto… apenas tristeza e angústia. Gostei muito de vos ver a todos nesta viagem dura, espelho cruel daquilo que vivemos. Mas raiva dá-nos força e não nos vai parar. Força! André Amálio

Ia escrever precisamente o que em cima disseram “um murro no estômago”. Porventura a morte e a necessidade de vivermos com Ela leva-nos a ter-Lhe um respeito especial. Porventura a eternidade é uma memória que deixamos na Obra feita, salvamo-nos assim da Morte mas assumi-mo-la com agrado. O Rei morreu, viva o Rei. Viva a Karnart, sempre viva. Eduardo Coelho-Moos
  
E agora? Para onde vamos? Teresa Moos

Muito intenso, muito triste também… De todas as coisas que me fez sentir, ficou a sensação de que jazo presa e ainda estou viva, sensação estranha! Ao mesmo tempo, como vocês, também acredito e não irei desistir… para mim, ódio com amor se paga e vou sempre continuar com todos os reais artistas no meu coração. Ana Frazão

A visita ao C. A. M. foi muito boa, musealizar este momento e ao mesmo tempo lembrar que a memória é importante é gesto de grande pertinência. Obrigado. Luciana Fina e Moritz Elbert

Temos Karnart sempre. Mafalda Simões

Bravo! Aplausos. Acutilante, muito bem o texto do manifesto. Subscrevo. Continuamos. Até já. Maria Correia  via Facebook:  Bravo à concepção do acontecimento a que assisti ontem! Muito bom! Recomendo vivamente. Para todos vós, do Karnart, um aplauso sentido! 

Esperei convosco e esperar custa, mas esperaremos juntos e no encontro inauguraremos as coias que ainda nos esperam e as dádivas de que serão capazes – tudo coisas boas e inesquecíveis. Obrigada. Helena Pinto

Avante! Suzana Borges

Obrigado. Pela dádiva. Por me ajudarem a compreender o quanto de destruição de anos de trabalho teatral está a ser feito! Não nos matarão. Joaquim Paulo Nogueira | via Facebook: Ao sair olho os espectadores, alguns dos quais conheço há muito tempo, partilhámos repetidamente palcos, plateias, emoções do teatro. Há um silêncio denso e não é do frio da noite. A imagem que me ocorre é a de um soco no estômago. Lembro-me também, a memória, daquela frase em Cacilhas, "uma pancada nos olhos faz ver", mas neste caso a sensação é mais violenta, é mesmo a de um murro no estômago. Vejo que outros espectadores a utilizaram. Olho-os, aos espectadores densos, compenetrados, que saem como se tivessem algo a fazer. Gostei dessa imagem, confortou-me. Confortou-me a ideia de que saímos daquele levantamento-memória com a ideia de que temos algo a fazer. Que o queremos fazer. O que é mais doloroso verificar é que me apercebi que, desde os anos 80 nós todos no teatro fizemos uma viagem, uma longa viagem, que os desertos, as ausências que se falavam nos anos oitenta foram a pouco e pouco sendo preenchidos, nunca é da melhor forma, mas foram sendo preenchidos, e que isso agora foi violentamente, escandalosamente atacado, desprezado, suspenso de uma relação e que poucos de nós se apercebem que não é de tenças, de dízimos, de subsídios, que se está a falar, é de uma aquisição, de um investimento reiterado que é desfeito, desligado. Nem sei como vos dizer que é do coração da democracia, da vida como possibilidade. É como se nos matassem por dentro e não a nós, mas ao que nós é nó, vínculo, ligação, prospectiva. Como diz o Manifesto Karnart 2012, continuamos à espera de ser tratados com a dignidade com que se devem tratar todos os parceiros da república, da democracia e da comunidade e nesse despeito não há nada de pessoal, mas uma vontade de eleger novos parceiros, novos parceiros que rimam pobremente com coveiros. É tudo muito rasteiro, muito lúgubre, muito a vida do avesso daquilo que uma vida pode ser. Andam a fazer de nós negócio. É tudo um desprezo muito grande pela própria comunidade. Querem convocar em cada um de nós ou o medo ou o terrorismo, mas sempre a violência. Aquela razão alegre, viva, festiva, que nasce na capacidade de nos encontrarmos uns com os outros é-lhes coisa estranha. Cresceram no ódio por si mesmos, alimentaram-se de ideias assassinas sobre os outros, e só se sabem reconhecer a si mesmos e aos outros através da violência. Não há outro motivo plausível para um país que se quer submeter e reger por um cânone do norte da Europa, uma Europa rica culturalmente, no teatro, na música, na dança, nas artes plásticas, na literatura, na investigação científica, na valorização deste tecido para a criação identitária, construa sucessivamente orçamentos onde a Cultura, a Educação, a Ciência, a Saúde, sofrem cortes brutais e onde o orçamento da Administração Interna, das Polícias e do Estado-Segurança cresce. Olhemos a hidra de frente: isto não é o fascismo nem o nazismo nem nada que já tenhamos conhecido. É uma força política destrutiva ainda sem nome à qual é preciso opor desde já toda a nossa energia positiva, toda a nossa capacidade de pensar um país novo. Precisamos de uma mudança, uma ruptura na sociedade portuguesa. E para isso, dizem-nos aqueles rostos e corpos encaixotados dos performers à espera de vez, é preciso continuarmos. Prosseguirmos caminho. Como dizia a Maria João Brilhante no seu manifesto, fazer perceber a cada vez mais sectores da sociedade portuguesa o que está verdadeiramente em causa.

Saudamos, em nome do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português, o colectivo Karnart e o seu trabalho. Saudamos a resistência e o trabalho, particularmente num contexto adverso de censura financeira e política de que são alvo as estruturas de criação artística. Agradecemos o convite que nos foi dirigido e que nos possibilitou conhecer esta vossa perfinst com que se despedem deste espaço. Votos dos melhores sucessos no presente e futuro, na seda da vossa luta, que abraçamos, enquanto comunistas. Miguel Tiago e João Oliveira

Caríssimos Karnart… um misto de emoções me invade ao estar aqui. Felicito-vos p’la persistência, resiliência, coragem e espinha sempre hirta! Sois uma inspiração para toda a “classe” artística… Expressar no papel tudo o que sinto é-me custoso, simplesmente sinto tristeza por não haver respeito p’la criação e todo o seu processo… nada aparece feito… mesmo nesta geração espontânea. Alegria por vos sentir em cada objecto, espaço reflectido mesmo de morte… Vivam os burros mirandeses. Até sempre, Maria Zamora | via Facebook: “(…) sentindo medo mas rindo bem alto (…)” A não perder. Recomendo.

Das ruínas e das cinzas germinam novos horizontes. Estamos vivos! O liberalismo financeiro não será o nosso fim, a luta continua, grande abraço para todxs! Bruno Cabral

Grupo Karnart, um evento com emoção e muita desilusão pelo momento crítico que o teatro está a viver, mas como acredito que a espera e a persistência vencem, melhores dias virão. Gertrudes Mendes Oliveira

presença dos corpos silenciosos e expectantes ressoou em mim… Os objectos empilhados, arrumados uns sobre os outros… quanta dureza… é como se a criação só fosse existir com suporte financeiro e reconhecimento? Não!!! A criação é a resistência de uma arte que recusa congelar, parar, fixar ou morrer… mesmo que o “espaço” possível para acontecer seja gélido e monumental ao mesmo tempo… os objectos e os corpos que se micromovimentam fazem-me lembrar que continuamos vivos, mesmo que deitados em caixões… Um abraço quente. Mariana Lemos

Muita pena tenho que a nossa cultura viva esteja a morrer… é uma cultura vivaça e cheia de talentos escondidos e reprimidos! Muito tocante o vosso espectáculo, desde a banda sonora ao homem enjaulado que me afecta bastante! Grande escrita criativa a vossa do texto do manifesto, eu apoio!! Força e sobrevivam… continuem a tentar, um até já! Ângela Henriques

Foi interessante, nunca tinha feito algo do género! As imagens, a iluminação, as luzes, todas apontavam para um mesmo ambiente que, devo dizer, é um pouco intimidante (e interessante ao mesmo tempo!). Mas o que gostei mesmo foram os performers: incríveis! E em posições não fáceis, acrescente-se. Por isso dou-vos os parabéns. Laura Borges

Vida viva! Viva vida! Esperamos sem alienação / unidos na mesma voz / ouvimos e creio todos / foram despertos pela voz / KARNART. Vera Barbosa via Facebook: À espera, mas lutando contra a alienação... Arte Viva! Vida Viva! O Grupo Karnart em seu MANIFESTO, com o CONCEITO ARQUIVO MUSEU, explora o acordar, através do paradoxo ao colocar atores que jazem em caixões... Com todo o espólio do grupo exposto, e atores como estátuas, nos deparamos com um teatro que rompe com os padrões impostos pela sociedade atual. Compartilho do sonho de uma vida melhor para a arte, uma vida para todos mais justa, mais feliz. Bravo!!!!

Achei bastante interessante, bastante melancólico, mas enquanto pessoa inquieta que sou não soube o que fazer durante mais de metade do tempo. Devido a o espectáculo ser feito num espaço reduzido os performers deviam fazer algum tipo de acção, mais interessante, que fosse para que as pessoas sentissem curiosidade, mais curiosidade, de fazer o percurso outra e outra vez. O conceito é interessante, mas peço desculpa, não faz de forma alguma o meu género de teatro. Mas desejo-vos boa sorte. Joana Pereira

The mirror in the room, painted on the wall, high, central – as if the sun or the coming moon – reflecting that which is seen. Reality or dream? The room haunted with death, murmuring voices. Deep low voices. People walking around, as if ghosts. On egg shells. Is this the future? Is this the past? Have lives been lived? Will the actors come to life and entertain. I wait. As a spectator, female – and pregnant with a baby – i wait. I wait for life to come. Does it not always? Thank you for making me think and see. Loved the “show”! Sylvia Rijmer

Se uma sala cheia de espelhos que não existem me assusta, então é porque preciso, de facto, de me assustar. Não sei se percebo, mas a imundice para que somos sujeitos remete-me a alguma coisa de absoluto… medo. Já não sei escrever. Rita Barbita

A morte de uma coisa é sempre o nascimento de outra. E quem resiste e não desiste representa os outros que, calados, se juntam para ter uma voz. O manifesto torna clara a vontade deste colectivo, o evento de hoje espelha este. À medida que o procuramos encontramos vontades, história de “H” grande, homens e mulheres determinados em não desistir quando todos parecem arrastar os braços. Obrigado por este momento que tornou mais claras as nobres intenções. Interessante notar que a dada altura os espectadores (não espectantes) passam a fazer parte integrante deste mesmo evento e até certo ponto interrogamo-nos se também não estamos a fazer parte deste pedaço que mundo que aqui foi apresentado. Não preciso de dizer para não desistirem, porque as provas estão aí, em caixotes, em caixões, em cadeiras e em actores, nos livros e nas luzes que aquecem este lugar! Obrigado. Miguel Mendes | via Facebook: Os meus parabéns a todos! Um evento muito bonito e triste ao mesmo tempo, mas nessa tristeza uma esperança, parecia que estava a ver os despojos de um navio que tinha navegado o mundo. Muito interessante a forma como se conjugou todos os elementos da companhia com as performances e os participantes que a certa altura, e ao mesmo tempo, somos nós, os protagonistas da mudança. Abraços e Parabéns.

Estou a sentir o espectáculo. Penetro na (sua) história. Revejo a minha… Até já (nesta espera). Um manifesto sobre a espera? Até sempre. Parabéns a você(s). Viva KARNART. Viva a Arte! Cristina Duarte

Tive de voltar segunda vez, não me bastou uma… este espectáculo tem tanto para dar, tanto para dizer ou mostrar. Adoro a disposição que conseguiram e toda a mensagem que me conseguiram passar. Espero pelo próximo projecto KARNART! Um abraço a todos. Luís Gomes 

Bravo! A não perder! Ana Velez

Desejo-vos salas mais quentes e acolhedoras e orgulho-me da vossa coragem e persistência na Arte a todo o custo. Mesmo quando não doce. Mesmo quando não confortante. Mesmo quando adversa como a realidade o é. Um futuro que não seja um beco sem saída, portanto. Para que a vossa arte possa exprimir-se como num deserto sem horizontes finitos. Marta San-Bento

Tenho seguido as vossas peças já, penso eu, do princípio, na antiga Faculdade de Medicina Veterinária, e gosto muito do vosso estilo de arte. Estamos numa altura financeiramente mais complicada, mas melhores tempos virão, há que ter calma e paciência. Felicidades para vós. O vosso conceito de museu está atraente, uma forma de transportar o público para o vosso mundo. João Monteiro

O acto de dispor os performers como parte de uma exposição, é um grito de rebeldia. O facto de estarem a passar o vosso manifesto também o é. E eu grito convosco e espero que nos ouçam. Chega de ficarmos mansinhos à espera que as coisas melhorem, sou artista mas não o posso afirmar pois não recebo como tal, sou pensador mas como não publico livros não me posso afirmar como tal. Por isso faço leituras onde me deixam, faço teatro onde posso, crio o meu espaço, e não o teria de outra forma. Obrigado pela inspiração. Mauro Hermínio

Até dia 16 deste mês a Karnart continua a apresentar o seu «Conceito Arquivo Museu», no Beco da Mitra, Rua do Açucar, em Lisboa. Quem quiser deter-se sobre este conceito, muito terá para ver/reflectir sobre a nossa história (pessoal/nacional). Mais uma performance-instalação ('perfinst') dirigida por Luís Castro e com um grande naipe de actores/actrizes, entre muitos outros cúmplices, em que todos juntos concebem um exercício de memória (colectiva), dramatúrgica, todos (ansiando?) pelo que há-de vir. Devir. E o que se espera? Espera-se não ceder ao desespero. Espera-se um futuro maior. Portanto, trabalha-se. É isso que todos/as fazem naquele armazém frente ao Teatro Meridional: uns e outras 'congelam' ou melhor 'criogenam', o momento teatral. Porque a seguir, continuaremos a estar cá todos e a fazer arte/ciência/ cultura enfim. Não conto mais. Se puderem, não percam. Cristina Duarte via blogue “A Cidade das Mulheres”

Obrigado pelo vosso trabalho e clareza. Falar claro é o sentido que vale a pena. Francisco Louçã

Há uma violência nesta perfinstalação que inquieta, desassossega, revolta. Olhar os objectos de uma vida criativa como peças de museu do que foi é já violento. Olhar as pessoas um murro no estômago. Uma intervenção violenta, bela e urgente. Que o silêncio, as águas moles de todos os dias ou o ruído dos caminhos quotidianos não abafem a violência de um país que cala a arte. A violência de CAM é o grito de urgência e de resistência. Um abraço forte e solidário. Catarina Martins

Devemos continuar a pensar e a falar. A arte como forma de comunicação. A performance como reflexo do mundo em que vivemos. Ricardo Vieira

E fazemos! Mas fazemos! Mas fazemos! E fazemos! Entre o murro no estômago, o ritual e a cerimónia, estamos vivos e acreditamos no Sonho, por entre os nossos mortos todos. Um abraço de Silêncio, KARNART. Maria Emília Castanheira

Meio século de fascismo, apesar de toda a repressão exercida, não bastou para liquidar-nos inteligência e criatividade; foi impotente para impedir a resistência, activa mas também passiva. Hoje, quando não sabemos imaginar o pior a vir, do mal que já cá está, nem por isso teremos que desistir... o espólio criativo da Karnart e a energia de quem a compõe indiciam excelente potencial de resistência. Força! Elisabete França

Translate