PERFINSTMUSEUM Comentários do Público


Ainda estou comovida depois de ontem. O espectáculo é muito perturbador. Como num museu muito antigo, nos gabinetes de curiosidades, cuidam dos objectos com gestos muito lentos e sacralizados. Depois, ahhh depois entra-nos na alma um final feliz. Não podem perder. Ninguém fica indiferente. Rosalia Vargas

Parabéns! Assisti pela primeira vez ao conceito performance + instalação e adorei! Pela interactividade com o público, pelo ambiente envolvente, pela evolução do próprio espectáculo. Gostei de sentir que também fazia parte e de ir compreendendo as ligações ciência, arte, museu... Bem hajam. Diana Resende

Genial, uma vez mais!... Inês Castanho Paes

Gostei muito desta performance + instalação porque me fez lembrar dos gabinetes de curiosidades, das primeiras experiências científicas, nem sempre certas, ou correctas e que inclusive colocavam em perigo a vida humana e ou animal. Fez-me pensar na coragem do ser humano de arriscar e de tentar ir sempre um pouco mais à frente e ao mesmo tempo de como isso pode ficar guardado, nestas cápsulas de tempo (museus, etc.) para as gerações futuras... Vanessa Amaral

Como conseguiram criar este ambiente? Um museu com almas a deambularem por cenas criadas e recriadas que apetecia voltar atrás para voltar e voltar a ver. O som e a imagem tão bem abraçadas. Obrigada por este momento gigante de bem estar. Parabéns às almas deambulantes e à mente que as imaginou. Tita

Que bonitas imagens. A ambiência, de música por momentos tensa, a luz baixa e as fabulosas imagens plásticas levam-nos a nós, espectadores, para um nível verdadeiro destas novas artes performativas modernas. Obrigada, bom trabalho. Sofia Orbeli

Adorei a partilha de um universo muito particular, muito poético. A liberdade de movimentação fica a par com a liberdade da imaginação. Assisti, esta noite, a teatro do objecto de muitíssima qualidade! Obrigada! Ana Cristina Dias

Gostei muito do espectáculo, pois foi feito com muita imaginação. Adorei! Obrigado! Mariana Margato Fernandes

Lembro este maravilhoso Perfinstmuseum, de Luís Castro/VelZ, e dou comigo, estranhamente (ou não?), a citar: "Em Deus tudo é Deus, uma simples folha de erva não é menor do que o infinito"- José Tolentino Mendonça, A Papoila e o Monge, 2013. Maria Emília Castanheira

Parabéns!! Cada vez que visito as perfinst do Luís e da(s) sua(s) equipas, da Karnart, transformo-me mais um bocadinho.. Joana Castanho Paes

Linda homenagem à Ciência e aos cientistas. Belo, harmonioso e contagiante. A música é linda e vai respirando muito bem ao longo do espectáculo. Muito bom gosto e elegância. Cria-se, recria-se, constrói-se, desconstrói-se, nasce-se, morre-se, inventa-se, reinventa-se, em constante metamorfose e evolução. Para mim, é um grande aplauso à comunidade científica, que para a maioria dos cidadãos, são pessoas que nunca se percebe muito bem o que andam a fazer... mas não faz mal... eles lá saberão. João Só

Estão, antes de mais, de parabéns - adorei o espectáculo! Os anos passam e demoramos a dar conta dessa passagem. Entrar por um espectáculo da KARNART evoca sempre memórias e uma relação que se iniciou em 2005 – não é apenas uma questão temporal ou de duração, pois aquilo que nos une é a coerência artística perfumada de elementos já tão familiares que me sinto sempre em casa. A familiaridade poderia significar aqui rotina, mutações ligeiras quase imperceptíveis ao olhar; mas não, o que existe é a diferença, soma e subtracção, multiplicações, elementos divisíveis. Cada espectáculo acrescenta e altera a percepção e a relação, é uma construção contínua de universos, de intelectos e de imaginários. Nos primeiros momentos de PERFINSTMUSEUM ressurgiu aquela sensação de que na KARNART nunca seremos espectadores passivos: os actores aproximam-se do público, demoram-se com as suas lanternas e olhares sobre nós; somos parte de compostos e matéria que pode ser estudada, antes de observarmos seremos observados. É o que de mais fascinante continua a acontecer: o nosso lugar é na participação activa. O nosso lugar é na interiorização e análise atenta e cuidada do espectáculo; nascimento, crescimento e morte – conceitos comuns a todos nós, mas simultaneamente tão únicos e indivisíveis, tão particulares e subjectivos. Vanessa Sousa Dias

Um trabalho fascinante e meticuloso que me trouxe à memória os universos de Dexter (o assassino), Cronenberg e Matthew Barney. Recomendo vivamente! Carla Isidoro

Não percam este PerfinstMuseum, vi no domingo e não há dia que não me lembre dele, parece que neste laboratório em que somos analistas e analisados e para o qual, apesar de muitas vezes críticos, contribuímos, até o frio da sala condiz. Do frio da sala libertamo-nos à frente de qualquer aquecedor mas do outro do que vai às entranhas será mais difícil mas teremos de o fazer. Avante! Obrigada e beijos quentinhos. Bibi Perestrelo

Ontem, o vosso espetáculo fez-me renascer, a Criatividade do tema, a sua montagem, o enquadramento musical e a performance dos atores foi uma verdadeira bênção de Cultura de nível internacional, senti-me como se Portugal estivesse a par de Nova York, Londres, Tóquio,  etc, etc. A dimensão do tema permitiu-nos interpretar e divagar pelo conhecimento em geral da ciência e da arte. O meu Bem-Haja e continuem a presentear-nos com o Génio da Criatividade. Até-Breve. Maria Marta Lourenço

Tanta sabedoria na criação. Bastas tentativas tem o homem em compreendê-la... Os adornos da sensibilidade revestidos e sustentados pelo cônscio pseudo-humano. Pontas soltas na minha psique. Magnífico, deslumbrante, inquietante. João Severo

Parabéns, Karnart, continuemos a viagem por longes tão perto... Amílcar Martins

Pedras, poesia, flores, corações, ciclos. Lindo! Ana Lavrador

Um achado num armazém perdido... Maria Luísa Tavares

Like watching Space Odissey live in a cold scientific laboratory. Sokol Ferizi

Surpreendente, enigmático, envolvente, original, rigoroso, grande sentido estético. Parabéns. Teresa Feio

Um homem vivo que às vezes se sente morto, que às vezes se move, outras o movem, outras observa, outras é observado. Muitos pontos de interrogação. David Loira

Fui ver a peça; muito sui generis, como nada que tenha visto antes, traz de facto algo de novo. A perfeição posta no ritmo e na simetria de movimentos é notável. A “trilha sonora” – excelente – ajuda a transportar-nos para o mundo irreal onde se movem os personagens. Uma noite passada de forma bem diferente, já que também nos permite a nós, público, fazer parte de momentos fantásticos, longe da rotina diária. Muitos parabéns a todos, encenador, sonoplasta e actores! Helena Albuquerque

Muito bom. Muito elegante, muito original. Teresa Campos E que bom é vivermos experiências multissensoriais. Obrigada! Joana Cordeiro

Fazes mesmo um trabalho muito importante e único na nossa malha de espectáculos. Um forte abraço. Fiquei muito feliz com o espectáculo de ontem! Parabéns! Ricardo Neves-Neves

Muito bonito este espectáculo. Uma viagem maravilhosa. João Piconé

O deslumbramento reside no olhar. Encontro neste espectáculo estímulos de sobra para o proporcionar. Obrigado. Eurico Coelho

A pensar no muito que possa ser dito. Mas uma ideia acordou comigo: a origem das espécies, a origem do ser humano! Vão ver, mas, agasalhados! Ana Bárbara Ribeiro

Fantástico, fantasmagórico, fantasioso. Muito bom! Cristiano

Único e perturbante. Extremamente louvável por não ter em mim nada que se lhe compare. Um outro mundo que não conhecia e uma maneira de ser e estar perante a arte da vida. Ricardo Pereira

Genial mais uma vez! Não desistam nunca! Francisco Castro 

Adorei a diversidade dos objectos e o efeito visual no seu todo. 
Excelente banda sonora. Parabéns. Ana Velez 

Um espectáculo excepcional em que se alia o teatro à imagem.
Adorei e recomendo. Valentina Sampaio 

Como já nos habituou, estas performances-instalações são fascinantes, tocantes. De um rigor e beleza extraordinários. A minha grandíssima admiração. Olga Roriz

Entrar numa lógica diferente, cuidada, inspiradora. Muito rigoroso, muito bonito. Parabéns. Sara Belo

Uma experiência fantástica, espiritual, que nos leva por esses insondáveis caminhos que a vida percorreu até se fazer Homem. Muito bom! Miguel Carneiro

Sempre cheio de surpresas, é muito bom ver-vos de novo e às vossas instalações e (bons) delírios. Adoro. Sérgio Vitorino

“Ce n’est pas une image juste – c’est juste une image” Godard. Amei! Como sempre! José Pires

Assisti, ontem, a uma SAGRAÇÃO do TEATRO. Como num templo, o SILÊNCIO, em movimento, nas vestes brancas dos sacerdotes, magos da ciência e da representação! Imagens em vigília, marcando o passar do TEMPO (?), o homem em metamorfose... Uma festa dos sentidos, das sensações - ver, olhar, ouvir, (não) tocar, imaginar o cheiro, a textura, o sabor... das palavras que não se disseram, dos mistérios que não se desvendaram -. Música, sempre música., mas o silêncio é o grande imperador. Um objecto estranho, inquietante, surpreendente! Estimulante, porque nos impele a uma procura incessante do saber; saber o quê, como, porquê... PERFINTSMUSEUM, um hino à beleza, à imaginação, à sensibilidade. Muitos parabéns à equipa, que o tornou possível, parabéns ao público, que participou num momento especial. Obrigada pelo vosso trabalho. Clara Silva

Também espectadora de ontem senti exactamente essa surpreendente festa dos sentidos. Por e com eles deixei-me levar. E foi bom. Parabéns e obrigada. Alexandra Loureiro

E ficaria, e ficaria, e ficaria... E passearia, e dançaria, e pairaria... Tempo infinito... Obrigada!! Paula Cristina Marques

Assistimos, sexta-feira, a mais uma das tantas maravilhas que meu amigo Luís Castro // KARNART proporciona a este país. PERFINTSMUSEUM, o silêncio sincronizado com todos os nossos sentidos. Não deixem de ver... é um presente... ainda em êxtase. Vanessa Cotrim

O rigor da ciência e o espanto da criatividade artística que escava na memória à procura de si mesma, a ritualidade coral da tragédia e a mais bela e solitária profanidade, uma estética que é ética foi o que, feliz, encontrei neste espetáculo da KARNART. Obrigado Luís Castro, Vel Z e toda a fantástica equipa que, por acreditar tanto, faz com que o que acontece em cena 'pareça um sonho de verdade'...! Miguel Seabra

análisis de Gonzalo A. Castrejón | encenador espanhol

PERFINSTMUSEUM es un espectáculo concebido y creado en el ámbito de la Semana de la Ciencia y de la Tecnología y de este contexto debe su temática central. El proyecto se inspira en los Gabinetes de Curiosidades de los museos de Historia Natural, donde se coleccionaban rarezas, animales extraños y mutantes insólitos. Los científicos, motivados por la curiosidad, reunían animales y hechos inverosímiles, fenómenos paradójicos en estos gabinetes donde la realidad superaba a la ficción. Y en la pieza de KARNART recuperamos esa añeja tradición perdida en la memoria de los tiempos y volvemos a encontrar a personajes de cualidades extraordinarias que son capaces de transformar viejos objetos en rarezas y curiosidades visuales en una atmósfera de misterio y extrañeza sobrecogedores.

En primer lugar, el concepto de PERFINST creado por el autor de la pieza reúne, según él mismo afirma, “fundamentalmente dos lenguajes, uno representativo delas artes del escenario y otro de las artes visuales, las cuales deberán fluir en simultaneidad en un espectáculo sin tener que depender forzosamente una dela otra”.

Sin desdeñar el concepto del autor y sus eficacias en la obra en cuestión, me gustaría contribuir a la reflexión sobre la influencia de la estética Wabi-Sabien la enunciación escénica de Luis Castro.

La estética del Wabi-Sabi fue la estética de la alta cultura en Japón durante varios siglos y está asociada al Taoísmo y, sobre todo, al Budismo Zen. Sorprendentemente y a pesar de la influencia creciente de “lo oriental” en Europa, el Wabi-Sabi está perdiendo su preeminencia en Japón debido a la invasión de lo occidental.

Aunque la comprensión de esta estética huye de la intelectualización, a grandes rasgos “Wabi” puede traducirse como “pobreza” y “Sabi” como soledad. Hacen referencia a la pobreza y la soledad voluntarias del eremita, entendidas como posibilidad de enriquecimiento espiritual. Y este desprendimiento hace aflorar una nueva apreciación de la belleza en lo simple. Tanto en el wabi como en KARNART, la belleza se puede encontrar en las cosas simples, sin adornos, imperfectas e irregulares, y el sabi en los objetos antiguos de formas toscas.

Y es que también PERFINSTMUSEUM, como en la metafísica del Wabi-Sabi, el universo construye y destruye, está en movimiento constante hacia o desde lo potencial. Todas los objetos e imágenes son tan mudables como evanescentes o efímeros, cualidades de lo inerte en el proceso natural, que nos da cuenta de la vulnerabilidad de lo material. Por esa razón, en PERFINST encontramos objetos vulnerables por su obsolescencia, que registran las marcas del tiempo, los fenómenos y la manipulación humana. Los objetos son irregulares, íntimos, sin pretensiones pero, sobre todo, simples.

Podemos encontrar, por ejemplo, la estética del Wabi-Sabi en la ceremonia del té. Y esta ceremonia recibe varios nombres, entre ellos “Chado” (el camino del té). Y el “Chado”, al igual que otras artes, es también un camino de perfección individual, espiritual. La ceremonia siempre se realiza del mismo modo. Al igual que en la ceremonia del té, en PERFINSTMUSEUM los actores nos dan la bienvenida para romper con el mundo exterior, con la vulgaridad cotidiana y en un prólogo preparan el alma del visitante para percibir la ceremonia. Y Luis Castro se esmera en su fría nave en conseguir una sensación de pureza y serenidad antes de comenzar a descubrir los objetos ocultos a la vista del espectador.

Cuando comienza la ceremonia se trata de una construcción sencilla, manipulando materiales naturales y creando imágenes perecederas que apelan a la asociación y a un cosmos intrigante pero acogedor para un espectador que transita por las imágenes con libertad. Antes de la contrucción definitiva, los actores presentan los utensilios que pronto se elevan a objetos poéticos.

El espacio se nos presenta como un espacio “encontrado”, que sin agresiones se adapata a la función. El lugar no se nos esconde, sino que se nos presenta como un viejo edificio de arquitectura industrial en el que se acumulan objetos. Se ponen así de relevancia sus propias características, incluídas sus imperfecciones. Los signos de su deterioro se exhiben en toda su materialidad y se consideran bellos. Por lo que parte de la premisa zen de la adaptabilidad y la flexibilidad, sin tratar de modificar el espacio ni de forzarlo.

No obstante, en PERFINSTMUSEUM los objetos adquieren especial relevancia. La primera característica es que, sean nuevos o viejos, los objetos son todos reales. No tienen una función decorativa, sino que pretenden transmitir una idea. Colocados en el espacio, responden a un tema y en conjunto intentan transmitir la peculiar visión de los ejecutantes sobre la belleza. Se busca la singularidad y no se rechaza lo feo. Tampoco el deterioro se esconde. De esta forma, los objetos relatan una y mil vidas. Parece que esta visión del arte se basa en la intervención y no en la creación.

Otra de las curiosidades del espectáculo es la lentitud. La contrucción del tempo se basa en la ejecución limpia y austera de los actores y, ésta, se desarrolla en un ritmo adecuado para la contemplación. Esa misma lentitud remite a una sociedad anterior a la contemporánea que talvez fuera capaz de contemplar lo que existe más allá de lo visible. En definitiva, devolvernos la paciencia del ritmo de la ceremonia para volver a sentir el inmenso placer de simplemente contemplar.

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